Como contratar um desenvolvedor de site sem se arrepender
Guia para quem vai encomendar o site da empresa: quanto custa, como escolher quem faz e o que precisa estar por escrito antes da primeira parcela.
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Se você digitou "contratar desenvolvedor de site" no Google, provavelmente caiu em dois tipos de página muito diferentes: umas falam em salário, CLT e regime PJ — são para empresas que querem contratar um programador para o time. Outras querem te vender uma plataforma de montar site sozinho.
Este guia não é nenhum dos dois. Ele é para quem precisa encomendar um site para a própria empresa e quer saber quanto isso custa, como escolher quem vai fazer e o que precisa estar combinado antes de pagar a primeira parcela.
A ordem aqui importa. Quase todo arrependimento com site começa numa decisão tomada fora de ordem: escolher o profissional antes de saber o que o site precisa fazer, ou combinar o preço antes de combinar o escopo.
Antes de procurar alguém, decida três coisas
Nenhum profissional consegue te dar um orçamento honesto sem essas respostas. E quem dá um preço sem perguntar isso está chutando.
1. O que o site precisa fazer. "Ter presença digital" não é objetivo — é consequência. Objetivo é: receber pedidos de orçamento pelo WhatsApp, vender um curso, agendar consultas, ou dar credibilidade para quem já te encontrou por indicação. Cada um desses leva a um site diferente. Um site que precisa gerar contato tem uma estrutura; um catálogo institucional tem outra.
2. Como você vai saber se deu certo. Se a resposta for "quando estiver bonito", você não vai conseguir avaliar o resultado nem cobrar nada de ninguém. Um critério verificável é melhor: "quero receber pelo menos X contatos por mês", ou "quero que quem me procura pare de pedir informação que já está no site".
3. Quem cuida disso depois. Site não é entrega única, é ativo que envelhece. Alguém vai ter que trocar um telefone, atualizar um preço, publicar uma novidade. Se essa pessoa for você, o site precisa ser editável por você — e isso muda o que deve ser construído.
Os três caminhos possíveis
| Plataforma (Wix, Squarespace) | Profissional independente | Agência | |
|---|---|---|---|
| Custo inicial | Baixo | Médio | Alto |
| Custo recorrente | Mensalidade permanente | Hospedagem e domínio | Hospedagem, domínio e contrato |
| Quem executa | Você | A pessoa que você contratou | Time, via atendimento |
| Velocidade de mudança | Imediata, se você souber mexer | Direta com quem fez | Passa por processo interno |
| Risco principal | Você fica preso à plataforma | Depende de uma pessoa só | Custo e distância de quem executa |
Não existe resposta certa universal. Existe resposta certa para o seu caso, e ela costuma sair das três perguntas da seção anterior.
O que não é um bom critério de escolha: o preço isolado. Um site barato que não traz cliente não custou barato — custou o valor pago mais os meses em que você não teve resultado.
Quanto custa, na prática
As faixas praticadas no mercado brasileiro em 2026, segundo o que agências e consultores publicam abertamente:
| Tipo de projeto | Faixa comum |
|---|---|
| Site institucional simples | R$ 300 a R$ 2.500 |
| Site institucional profissional | R$ 2.500 a R$ 15.000 |
| Landing page de conversão | R$ 1.500 a R$ 4.000 |
| Média para PMEs de serviço | R$ 3.000 a R$ 8.000 |
A dispersão é enorme, e ela não é aleatória. O que move o preço, na ordem em que costuma pesar:
- Quantidade de páginas e de conteúdo original. Cada página precisa de texto, imagem e estrutura próprios.
- Design sob medida ou template. Template corta custo e corta diferenciação junto.
- Integrações. Ligar o site a WhatsApp, CRM, sistema de pagamento ou agenda é trabalho à parte.
- Quem escreve os textos. É o item mais subestimado do orçamento. Se você não vai escrever, alguém vai — e isso tem preço.
- Prazo. Urgência custa caro em qualquer serviço.
E há o que continua depois da entrega, que raramente entra na conta de quem está comparando propostas: hospedagem profissional custa entre R$ 30 e R$ 150 por mês, domínio é uma renovação anual, e manutenção é combinada à parte quase sempre.
Peça o custo total do primeiro ano, não o preço de entrega. Duas propostas com o mesmo valor inicial podem ter diferença de milhares de reais em doze meses.
O que precisa estar por escrito
Aqui mora a diferença entre um projeto que dá certo e um que vira prejuízo. Nenhum desses itens é sofisticado — todos são ignorados com frequência.
Escopo, em número. Quantas páginas, quantas rodadas de ajuste, o que está incluído e o que é cobrado à parte. "Site completo" não significa nada. "Cinco páginas, duas rodadas de revisão, formulário integrado ao WhatsApp" significa.
Prazo com data e com dependência. Todo prazo de site depende de você entregar textos, fotos e acessos. Um cronograma honesto diz o que trava se esse material atrasar.
Pagamento em etapas. Pagar tudo adiantado transfere todo o risco para você. Uma divisão comum — metade no início, metade na entrega — mantém os dois lados interessados até o fim.
De quem é o código quando acabar. Esta é a pergunta que quase ninguém faz e que decide se você tem um ativo ou um aluguel. Se o site foi feito numa plataforma proprietária, você não leva nada quando sair. Se foi feito em código, o código pode ser seu — mas isso precisa estar escrito.
Em nome de quem ficam o domínio e a hospedagem. Se estiverem na conta de quem fez o site, você depende de outra pessoa para qualquer coisa, inclusive para sair. Registre o domínio no seu nome, com o seu e-mail, sempre. É a única parte deste guia que eu diria que não é negociável.
O que acontece se alguém desistir. Projetos param — o cliente muda de ideia, o profissional some, a empresa fecha. O contrato existe justamente para o dia ruim, não para o dia bom.
Se a pessoa ou empresa com quem você está falando resiste a colocar essas seis coisas no papel, você já tem a informação que precisava.
Como avaliar um portfólio de verdade
Olhar se o site "é bonito" é o teste mais fraco possível. Três testes melhores, que você faz em cinco minutos e sem saber nada de programação:
Abra no seu celular, em rede móvel. Não no Wi-Fi. A maior parte do tráfego de site institucional vem de celular, e é onde a diferença entre um site bem e mal construído aparece primeiro.
Meça a velocidade. Cole a URL do trabalho no PageSpeed Insights — é gratuito e do próprio Google. Nota de mobile abaixo de 50 significa um site que perde visitante antes de carregar, e o Google sabe disso na hora de ranquear.
Procure o caminho até o contato. Entre no site do portfólio fingindo ser um cliente daquele negócio. Quanto tempo leva para achar como falar com eles? Se você se perde, o cliente real também se perde.
Peça também para falar com um cliente antigo. Não o mais recente e feliz: um de um ou dois anos atrás. O que você quer saber é como foi o suporte depois que o dinheiro já tinha sido pago.
O que acontece depois que o site fica pronto
A entrega não é o fim, e a maior parte das frustrações mora aqui.
Período de ajustes. É normal que erros e pedidos de correção apareçam nos primeiros dias de uso real. Combine desde o início quanto tempo esse período cobre e o que ele inclui. Na Moggy Cloud, por exemplo, esse período é de 30 dias, e o prazo de entrega dos projetos fica entre 3 e 14 dias — mas o número em si importa menos do que ele estar combinado antes.
Quem publica as mudanças. Se você quer trocar textos e publicar novidades sozinho, isso é um requisito do projeto e precisa ser dito antes de o site ser construído. Encaixar depois costuma custar mais do que ter feito desde o começo.
Manutenção. Site em código limpo precisa de pouquíssima manutenção. Mas "pouca" não é "nenhuma": pergunte como funciona e quanto custa quando precisar.
Perguntas frequentes
Preciso saber alguma coisa de tecnologia para contratar?
Não. Você precisa saber o que o seu negócio precisa e fazer as perguntas certas sobre escopo, propriedade e prazo. A parte técnica é responsabilidade de quem você contratou — e um bom profissional explica as decisões dele em português, sem jargão. Se você sai de uma conversa sem entender o que foi combinado, o problema não é o seu vocabulário.
Quanto tempo leva para um site ficar pronto?
Depende muito mais do conteúdo do que da programação. Um site institucional pequeno com textos e imagens prontos sai em dias; o mesmo site sem material definido pode levar meses, porque o projeto fica parado esperando você. Se o prazo é importante, prepare o conteúdo antes de contratar.
Vale a pena fazer o site sozinho numa plataforma?
Vale, em dois casos: quando você precisa de algo publicado imediatamente e com orçamento muito curto, ou quando o site é temporário. Para um site que vai representar seu negócio por anos, a conta muda: a mensalidade não acaba nunca, a performance costuma ser pior e você não leva nada consigo se decidir sair.
E se eu já tenho um site e ele não traz cliente nenhum?
Antes de refazer, descubra o motivo — pode ser que o site esteja bom e o problema seja que ninguém chega nele. Veja se o site aparece no Google para o que você faz, se abre rápido no celular e se está claro como entrar em contato. Refazer um site sem saber por que o anterior falhou costuma produzir o mesmo resultado com visual novo.
O que eu preciso ter em mãos antes de pedir um orçamento?
O objetivo do site em uma frase, a lista de páginas que você imagina, textos e fotos que já existem, e exemplos de dois ou três sites de que você gosta — com o motivo de gostar. Com isso, qualquer profissional sério consegue te dar um orçamento real em vez de uma faixa vaga.
O domínio pode ficar no nome de quem faz o site?
Pode, tecnicamente, mas é uma péssima ideia. O domínio é o endereço do seu negócio na internet e é a única coisa que não dá para reconstruir: se ele está no nome de outra pessoa e a relação termina mal, você perde o endereço que seus clientes conhecem. Registre no seu nome, com o seu e-mail e o seu cartão.